7.7.09

zunido

e eu que estava a enlouquecer
aquele zunido vindo do meu ombro não cessava nunca
manipulava objetos e ele parava
parecia que vinha de dentro deles
zunido como aquele produzido por uma garrafa térmica
que busca por uma pequena fissura
para liberar o seu calor.

algumas horas passaram e
o zunido continuava
já não sabia mais se estava
fora ou dentro da minha cabeça

fiz café

o zunido só poderia ser da cafeteira italiana
bebi o café
movimentei alguns passos na cozinha e novamente
o zunido no meu ombro

olhei o meu ombro por cima da fina malha de lã
resolvi investigar, parecia vir dali mesmo
puxei esticando a gola até abaixo do ombro

uma mosca, uma estranha mosca marrom
pequena e gordinha exclamou seus últimos gemidos

saiu voando

ganhou a janela aberta da cozinha
que antes revelava apenas o dia cinzento de uma terça-feira
zunidos..

6.8.06

Lei de Incentivo à Cultura - triste realidade

A GESTO- Associação de Produtores Teatrais da Grande Florianópolis e
APRODANÇA, sentem-se no direito e obrigação de registrar publicamente o
sua indignação pela forma como a cultura do Estado está sendo tratada
pelos órgãos públicos.

Solicitamos a sua colaboração para fazer chegar ao conhecimento do
público e de quem interessar possa.

Para maiores esclarecimentos, colocamos à sua disposição o seguinte
contato: Renato Turnes- GESTO- (48) 3337 4794 - 9992 8552.




COMO ANDA A LEI DE INCENTIVO À CULTURA EM SC?

Em Santa Catarina, a Lei de Incentivo à Cultura tem sido, nos
últimos anos, o único instrumento de política cultural disponível para
viabilizar o financiamento de projetos culturais. Em fevereiro de 2005,
houve uma tentativa por parte da sociedade organizada (grupos e
associações culturais dos mais diversos segmentos) de alterar o modo como a
mesma vem sendo aplicada, buscando, entre outros, se alinhar com as
diretrizes que há três anos vêm sendo estabelecidas nacionalmente. Mas as
mudanças realizadas pela reforma administrativa só reforçaram o uso
político e pouco transparente na distribuição dos recursos.

No Sistema Estadual de Incentivo ao Turismo, Esporte e Cultura
(SEITEC), cabe a um conselho, formado por representantes da sociedade
civil organizada e por representantes do governo, analisar e aprovar ou
reprovar projetos com base em critérios estabelecidos por lei. Seu
parecer deveria ser autônomo e final. Não é o que acontece aqui. Segue
abaixo
uma lista de irregularidades que vêm ocorrendo sistematicamente na
gestão deste sistema:

1. Foi criado um comitê gestor, formado por três integrantes
e presidido pelo secretário da SOL, que está acima do Conselho, com
poder de alterar decisões tomadas anteriormente, o que acontece com
freqüência. Assim, projetos são aprovados e depois "estacionam" no comitê
gestor, por não fazerem parte das prioridades do governo. Nos dois últimos
meses, vários projetos culturais foram aprovados, integral ou
parcialmente, pelo Conselho Estadual de Cultura. No entanto, ao procurar
acompanhar o seu andamento, os proponentes foram comunicados que não "havia
mais verbas", inviabilizando a execução dos mesmos.

2. O dinheiro anunciado na mídia não é o efetivamente
liberado. Portanto, existe propaganda enganosa quanto à aplicação de
recursos
na cultura. Os conselheiros não são comunicados sobre as verbas
disponíveis nem sobre os vetos feitos pelo comitê gestor, que redefine os
valores a partir de seus próprios critérios.

3. O governador em exercício tem priorizado para publicação
no diário oficial projetos de interesse partidário ou de interesse
pessoal.

4. Os projetos que são aprovados têm os recursos retidos nos
cofres do governo por meses. Vários projetos aprovados em 2005, e que
captaram recursos junto à iniciativa privada, tiveram suas verbas
retidas por meses, inviabilizando sua realização nos prazos estabelecidos.

5. Um projeto tendo como proponente a atriz Vera Fischer foi
aprovado no mês de junho e teve sua publicação em diário oficial antes
de vários outros projetos aprovados anteriormente cuja publicação não
se deu por "não haver mais verbas". A rigor, só podem ser proponentes de
projetos no SEITEC artistas ou produtores culturais com atuação
comprovada em SC nos últimos três anos. Portanto, há irregularidade em pelo
menos dois itens neste caso específico. Mas havia interesse político em
sua viabilização, o que facilita a alteração das regras do jogo.

6. Documentos são extraviados, obrigando os proponentes a
reapresentá-los, atrasando o andamento das análises de projetos.

A Lei de Incentivo à Cultura foi criada para servir como um
instrumento de utilização transparente e democrática. Sendo ela a única
fonte de recursos disponível para a produção cultural no Estado, sua má
ingerência causa ainda mais danos a toda a sociedade e configura mau uso
do dinheiro público. O que se vê aqui é um total desrespeito à lei ou
ainda, o que é pior, um uso "adaptado" de acordo com as circunstâncias.
Estamos vivendo um verdadeiro coronelismo cultural, que revela um grande
retrocesso em algumas conquistas feitas no decorrer dos últimos anos na
gestão da cultura. O Rei está nu.

16.7.06

Mon solitude...

rencontre mes vraies joies dans la solitude.
ma solitude est ma palacio.
là sont ma chaise, table... mon lit, mon vent et mon soleil.

à deme asseoir dans une place qui n'est pas ma solitude...
je m'assieds en exil, m'assieds dans un pays trompeur

25.6.06

Teoria dos 100%

Hoje darei reinício as minhas escritas e constatações a cerca da humanidade e seu comportamento.

Não que eu seja um psicólogo ou conhecedor das ciências que estudam o comportamento humano, mas sou apenas um bom observador. Com os anos e o número de pessoas que venho conhecendo, gostaria de falar um pouquinho o que penso sobre esse bichinho complicadinho.

A teoria dos 100%

Essa teoria me surgiu a partir de uma conversa com um conhecido. Estava discursando sobre as pessoas quando me veio na cabeça o quanto somos, ou podemos ser 100%.

Acho que estou desacreditado que uma pessoa possa ser 100%. Ninguém é 100%. Eu percebo todas as mudanças que já ocorreram na minha vida, pensa em quatro fases diferentes: a das minhas primeiras lembranças, quando começo a questionar as coisas (7 anos), da passagem pré-adolescência (11-13anos), do começo da fase adulta (17-18 anos, no meu caso) e do momento em que me encontro agora (qual mesmo a minha idade?? Ah, lembrei, 27 anos).

Todas essas fases passei por afirmações e períodos muito distintos. A cada momento acreditava num ideal diferente. Já até acreditei num dia em que tudo seria perfeito, tranqüilo, sem muitas transformações.

Mas na medida em que nos tornamos conhecedores da vida, vamos percebendo as mudanças que interagem e nos tornam seqüenciadores de um comportamento comum.

Quando Elis, em uma de suas canções diz que “somos como os nossos pais”, eu discordava. Mas isso era na minha adolescência, quando eu achava que tudo iria mudar, eu iria mudar e ser diferentes a tudo e a todos.

Hoje vejo que nem tudo é 100%, as pessoas não são 100%, ou pelo menos não conheci alguém que o fosse.

Vivemos em estados de mudanças freqüentes, estamos abertos para isso. Interagimos num mar de informações e não nos damos conta do quanto somos mutáveis, líquidos, híbridos.

E sendo seres mutantes, não podemos nos culpar, ou culpar a alguém. Por vezes necessitamos de algo que ninguém pode nos dar e nos frustramos por isso.
Mas o que fazer? Seres mutantes... o que és ... o que somos ... 100%? Acho que não..

29.6.05

êxito

22.6.05

Fotos tiradas no trânsito por um motorista irresponsável


F08


F09


F21

21.6.05

Nolite fieri sicut equus et mulus quibus non est intellectus

Não sejais como o cavalo e a mula, que carecem de entedimento.

A massa escoiceia e não entende. Procuremos fazer o inverso.
Extraiamos da arte jovem o seu princípio essencial e, então, veremos em que profundo sentido é impopular.

Gasset, José Ortega y. A desumanização da arte.
referindo-se ao salmo 31

19.6.05

Hegemonia da Informação

Jornalista Francisco Karam fala sobre a mídia em Palestra na Faculdade Estácio de Sá

Franciso Karam, jornalista, mestre em ciências da comunicação, doutor em comunicação e semiótica e professor da UFSC discorre sobre a hegemonia da informação nos meios de comunicação.

Segundo Karam, a hegemonia da informação faz muito mal ao jornalismo. Esta sociedade e conglomerados estão colocando hoje em xeque um futuro que deveria ser muito mais digno, plural e público no sentido social da profissão jornalística.

Empresas da mídia estão cada vez mais se associando a outras instituições que normalmente não eram vinculadas à mídia, como os setores alimentícios, agropecuários, financeiros entre outros. Hoje as matérias que deveriam ser de interesse público e social, vem carregadas de publicidade e marketing, isso compromete e contamina os ideais da categoria, ressaltou o professor.

Karam diz que esse fator, juntamente com o processo de privatização dos estados, acaba por fim, ocupando a mídia em atender uma lógica muito mais particular do que pública ou universal. E isso fez com que houvesse no próprio corpo editorial dos noticiários e das pautas pouca opção, provocando assim o "pensamento único".

Pensamento único, afirma Karam, é uma tendência de reforçar determinadas idéias, não oferecendo espaço a informações por vezes muito importantes, que sejam próprias da controvérsia pública que deveria ser permitida no jornalismo.

Hoje existe um volume e uma possibilidade muito grande de informações, havendo um nicho possível de ser trabalhado. Estes novos meios deveriam ser apoiados pelo estado, criando alternativas possíveis do público enxergar por meio da mídia. Assim a sociedade teria uma maior liberdade de escolha em relação aos temas, pautas e linguagens, possibilitando novas opções de ver o mundo por meio do jornalismo.

Karam também é defensor da idéia de Eugênio Bucci, presidente da Radiobrás, que defende uma rede pública nacional de comunicação, além de maior pluralidade de fontes e liberdade de expressão nas matérias. "Para que houvesse uma caixa de ressonância, mais controvérsia social, para sacudir as pessoas acostumadas com o conservadorismo e a hegemonia da informação".